De acordo com um trecho de Epicuro coloco esta dúvida.

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De acordo com um trecho de Epicuro coloco esta dúvida.

Mensagem  Karl Marx em Seg Abr 21, 2008 4:06 pm

O Deus judaico-cristão é antropomórfico, pois antropomorfismo não diz respeito somente á forma, mas aos sentimentos e ações também. Deus para ser Deus não deveria estar livre de quaisquer paixões? Ódio, vingança, amor ou compaixão todos os sentimentos animalescos não deveriam inexistir em Deus? Deus não deveria ser somente e apenas justo e se por ventura possui-se outros sentimentos que fossem de origem divina e não animal?

Lembrando que o amor é um sentimento Humano e de certa forma presente em outros animais e, portanto animalesco.
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Re: De acordo com um trecho de Epicuro coloco esta dúvida.

Mensagem  Sérgio Bantam em Ter Abr 22, 2008 7:39 pm

Muito me dignifica poder deitar nesse assunto.
A filosofia de Epícuro determinada "Atarraxia" era muito simples, muito mais do que cristã ou hiper budista, consistia na teoria de que fazer o bem não era tão difícil e não se deixar consumir pelos maléfícios idem!

A antorpomorfização de Deus é um recurso sócio emocional. Ora, se Deus está tão distante, como um homem pode acessá-lo? O paganismo primitivo hebreu e seu sucessivo cristão, adotaram essa forma como um elemento de agregação social e ideológica, deixando o termo filosófico e científico em segundo plano. A dominação de Roma até o nosso presente Vaticano só se deu por isso. O Deus pagão da Roma pré-cristã junto com o Deus hebraico que liberta seu povo das garras do malvado Faraó, Ele é o técnico de futebol que todo time deseja. Querem um Deus vingativo, inteligente, matador, arteiro, engendrador, severo, imperdoável com os inimigos! Nada de moleza, severidade total com os outros e amor e perdão incondicional com seus asseclas.
Esse deus feito a imagem e semelhança do homem, totalmente primitivo, teve sua origem nos primeiros nichos de concentração humana, provavelmente no período da grande diáspora do homem de Cro Magnon pela Europa.
Um clã sujeito às intempéries do mundo físico e natural, com toda uma série de obrigações para sobreviver pela caça, pesca e guerra, além das próprias catástrofes naturais, desconhecia a origem de todas as adversidades. Pois essa percepção primitiva da relação entre benefício e maléficio, alternados pelos ciclos inexoráveis da natureza, com certeza exigiu a necessidade de um interventor divino. Rogar ao desconhecido que articula a aleatoriedade dos fatos de forma a que essa incerteza so consolide a nosso favor, criou o conceito de deus primitivo.
O Deus de Israel no Pentateuco é o ensejo dos homens que em torno dele congregam. Isso é uma extensão do deus primitivo neolítico e funciona como um agente agregador do clã e assim deve ter uma identidade similar em aparência e temperamento. Se o clã quer matar, deus também o deseja; se o clã quer fugir de um inimigo avassalador, o clã igualmente o recomenda. Note que deve existir um sacerdote ou intermediário que corrobora e alinha a intenção dos homens e do seu deus.
Portanto, o Deus bíblico de Israel, tem de ser assim pela natureza da vida primitiva desse povo. Intituir um deus naqueles dias era de supra importância. Se Ele se propagou por intervenção do estado romano que o outorga por vício do poder, nada podemos atribuir de errado a Ele, pois foi paciente involuntário nessa operação, sendo arrebatado por Roma sem o consentimento dos judeus.
O DEUS budista é uma abstração e nada tem a ver com o deus primitivo propalado pelo cristianismo. O próprio Jesus não faz apologia a Deus, mas espalha a mensagem de igualdade, fraternidade e liberdade entre os homens.
Roma se usa de sua estória (não podemos afirmar se real ou mito) para edificar e consolidar a boa nova (evangelho) religião. Constantino a impõe a ferro e fogo e aniquila os opositores com uma morte terrível.
Portanto, nada há de estranho no deus miserável e desgraçado que se arrepende, se enerva, se irrita e se constranje e tem um povo! Ele é apenas um produto sócio emocional da raça humana fraca dos primeiros milênios que se expressa tal e qual, da mesma forma como Ele.
O Budismo e o Bramanismo com seus conceitos de deus, Deus e DEUS, ou seja:
O deus pessoal ou Ishvara, aquele que é um verdadeiro cão Pit Bull que morde e tritura os inimigos, o deus ao qual o indivíduo pede vantagens e favorecimentos; depois vem o Deus Brahma ou o inefável, conceito de um creador que não se esclarece em seus motivos e suas razões, deixando apenas como lastro de si, as Lei naturais que determinam a existência nesse mundo; por último aparece DEUS ou PARABRAHMAM, a abstração em seu total enigma e desconhecimento, algo sem forma, sem espaço, sem tempo, sem causa!
Há uma paridade entre os deuses hebreus, digo, os doze nomes de Deus em hebraico e esses hindus. Assim há YHVH, Elohim que correspondem aos dois primeiros conceitos e os demais 10, que expressam qualidades menos enigmáticas e mais físicas e antropóides.

Por último, friso que DEUS Creou o Universo (entendam-no como puderem) juntamente com suas Leis que o regem. Qualquer especulação além disso exige uma profunda meditação e simbolização mental interior para que se alcance uma imagem paralela sobre suas causas e nunca sobre suas formas, o que é totalmente excluível. Ficam então a nossa imaginação e bom senso a impedir que a emoção corrompa a idéia de DEUS e mesmo Deus!
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